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Ano 6 - Edição 2451-

- Março

2016 -

Fortaleza-Ceará-Brasil

quinta-feira, 19 de julho de 2012

EMBAIXADOR DO BRASIL EM DAMASCO:“Impossível pôr os pés na rua com tantos tiros", diz embaixador brasileiro na Síria.


“Impossível pôr os pés na rua com tantos tiros", diz embaixador brasileiro na Síria.Conflitos em Damasco fazem diplomatas brasileiros interromperem serviços

O embaixador do Brasil em Damasco, Edgard Casciano, afirma que a violência na capital síria chegou a um ponto em que funcionários da embaixada brasileira foram orientados nesta quinta-feira a não ir trabalhar. Por telefone, ele falou à BBC Brasil sobre o clima na cidade com os ataques rebeldes e os confrontos entre tropas do governo e opositores.

De sua residência em Damasco, Casciano disse que desde quarta-feira a capital vive seus dias mais violentos desde o início da crise, há mais de um ano, com intensos tiroteios que deixaram as ruas completamente desertas.
Confrontos tornam Damasco 'prisioneira do medo'

"O perigo é real. É impossível pôr os pés na rua. É uma situação extremamente problemática", disse o embaixador.

Ele contou que os tiroteios e explosões eram tão intensos na noite de quarta-feira que não conseguiu dormir.
"Helicópteros sobrevoavam constantemente e dava para ouvir muitas explosões que, pela intensidade, eram consequência de armas pesadas".

Há quatro anos em Damasco, Casciano disse que a situação na capital é muito tensa e já não há garantias de segurança para as embaixadas estrangeiras no bairro.

"Até cogitamos que o governo brasileiro enviasse agentes de segurança para proteger a embaixada. Mas com o aeroporto fechado, a ideia foi deixada de lado".

O embaixador também falou que os combates respingaram em seu bairro na capital, com balas perdidas atingindo a vizinhança e até a sua casa.

"Uns dias atrás, eu achei balas de rifles Ak-47 em meu jardim. Ninguém está seguro na cidade", afirmou.
A ofensiva do Exército Livre da Síria (ELS) contra tropas leais ao governo em Damasco começou no domingo e já entrou em seu quinto dia. Vários bairros nos subúrbios ao sul da capital já foram tomados por rebeldes.

Um atentado suicida, ontem, matou o ministro de Defesa, seu vice e o cunhado do presidente Bashar al-Assad. O paradeiro do líder sírio ainda é desconhecido, já que ele não fez nenhuma aparição pública desde o atentado ao quartel-general das forças de segurança do país.

O governo vem mobilizando mais tanques e tropas em direção à capital e, segundo analistas, antecede uma grande batalha pela cidade.

De acordo com a ONU, mais de 16 mil pessoas já morreram no país desde o início da revolta, há mais de um ano, que exige a renúncia do presidente Bashar al-Assad.
Brasileiros

De acordo com o diplomata, a embaixada já tem um plano de contingência para retirar brasileiros do país se a situação continuar se deteriorando.

No entanto, ele disse ser difícil prever atualmente o número de brasileiros no país, pois vários deles já deixaram a Síria sem informar a representação em Damasco.

"Quase todos têm também a nacionalidade síria e não expressavam o desejo de sair do país. Mas com o agravamento da situação, vários saíram da Síria sem avisar. Alguns foram para Beirute [capital do Líbano], outros voltaram ao Brasil”, afirmou.

Segundo ele, a maioria dos brasileiros registrados são da região de Damasco, mas há uma comunidade na região de Latakia e Tartous, na costa da Síria, reduto de alauítas (grupo sectário ao qual pertence Assad) e cristãos.

"Naquela região da costa, a situação é bem menos tensa, com poucos combates entre rebeldes e governo. Então não fomos contatados ainda por brasileiros".
Em contrapartida, o setor consular da embaixada vem registrando um grande aumento no pedido de visto de turista por parte de cidadãos sírios.

"Muitos têm parentes no Brasil e desejam sair do país momentaneamente".
Para ele, o atual clima é de "guerra aberta" na Síria. Ele disse que seus amigos sírios mostram-se muito preocupados e com medo do futuro.
"A guerra em Damasco os deixou extremamente apavorados", afirmou. ( Beirute, Líbano, para a BBC Brasil)
EUA pressionarão Síria fora do Conselho de Segurança da ONU
O governo dos Estados Unidos afirmou que trabalhará para pressionar o regime sírio fora da esfera do Conselho de Segurança da ONU - após novo veto da Rússia e da China sobre sanções ao país.
A Rússia afirmou que uma resolução ocidental contra a Síria é inaceitável pois poderia desencadear ações militares no país.
Foi a terceira vez que os dois membros permanentes barraram resoluções mais fortes sobre a Síria no órgão.
O enviado especial à Síria da ONU e Liga Árabe, Kofi Annan, afirmou estar desapontado com a falta de união dos Membros do Conselho de Segurança. Annan lamentou que o órgão não adotou as ações fortes que ele havia recomendado.

O Reino Unido afirmou estar consternado com a posição da Rússia e da China.
"Mais de 14 mil sírios inocentes foram mortos desde que a Rússia e a China vetaram pela primeira vez nossos esforços para acabar com a violência em outubro do ano passado", disse o embaixador britânico na ONU Mark Lyall Grant.

Ele contou que os tiroteios e explosões eram tão intensos na noite de quarta-feira que não conseguiu dormir.

"Helicópteros sobrevoavam constantemente e dava para ouvir muitas explosões que, pela intensidade, eram consequência de armas pesadas".

Há quatro anos em Damasco, Casciano disse que a situação na capital é muito tensa e já não há garantias de segurança para as embaixadas estrangeiras no bairro.

"Até cogitamos que o governo brasileiro enviasse agentes de segurança para proteger a embaixada. Mas com o aeroporto fechado, a ideia foi deixada de lado".

O embaixador também falou que os combates respingaram em seu bairro na capital, com balas perdidas atingindo a vizinhança e até a sua casa.

"Uns dias atrás, eu achei balas de rifles Ak-47 em meu jardim. Ninguém está seguro na cidade", afirmou.

A ofensiva do Exército Livre da Síria (ELS) contra tropas leais ao governo em Damasco começou no domingo e já entrou em seu quinto dia. Vários bairros nos subúrbios ao sul da capital já foram tomados por rebeldes.

Um atentado suicida, ontem, matou o ministro de Defesa, seu vice e o cunhado do presidente Bashar al-Assad. O paradeiro do líder sírio ainda é desconhecido, já que ele não fez nenhuma aparição pública desde o atentado ao quartel-general das forças de segurança do país.

O governo vem mobilizando mais tanques e tropas em direção à capital e, segundo analistas, antecede uma grande batalha pela cidade.

De acordo com a ONU, mais de 16 mil pessoas já morreram no país desde o início da revolta, há mais de um ano, que exige a renúncia do presidente Bashar al-Assad.
Brasileiros

De acordo com o diplomata, a embaixada já tem um plano de contingência para retirar brasileiros do país se a situação continuar se deteriorando.

No entanto, ele disse ser difícil prever atualmente o número de brasileiros no país, pois vários deles já deixaram a Síria sem informar a representação em Damasco.

"Quase todos têm também a nacionalidade síria e não expressavam o desejo de sair do país. Mas com o agravamento da situação, vários saíram da Síria sem avisar. Alguns foram para Beirute [capital do Líbano], outros voltaram ao Brasil”, afirmou.

Segundo ele, a maioria dos brasileiros registrados são da região de Damasco, mas há uma comunidade na região de Latakia e Tartous, na costa da Síria, reduto de alauítas (grupo sectário ao qual pertence Assad) e cristãos.

"Naquela região da costa, a situação é bem menos tensa, com poucos combates entre rebeldes e governo. Então não fomos contatados ainda por brasileiros".

Em contrapartida, o setor consular da embaixada vem registrando um grande aumento no pedido de visto de turista por parte de cidadãos sírios.

"Muitos têm parentes no Brasil e desejam sair do país momentaneamente".

Para ele, o atual clima é de "guerra aberta" na Síria. Ele disse que seus amigos sírios mostram-se muito preocupados e com medo do futuro.

"A guerra em Damasco os deixou extremamente apavorados", afirmou. ( Beirute, Líbano, para a BBC Brasil)
EUA pressionarão Síria fora do Conselho de Segurança da ONU
O governo dos Estados Unidos afirmou que trabalhará para pressionar o regime sírio fora da esfera do Conselho de Segurança da ONU - após novo veto da Rússia e da China sobre sanções ao país.
A Rússia afirmou que uma resolução ocidental contra a Síria é inaceitável pois poderia desencadear ações militares no país.
Foi a terceira vez que os dois membros permanentes barraram resoluções mais fortes sobre a Síria no órgão.
O enviado especial à Síria da ONU e Liga Árabe, Kofi Annan, afirmou estar desapontado com a falta de união dos Membros do Conselho de Segurança. Annan lamentou que o órgão não adotou as ações fortes que ele havia recomendado.

O Reino Unido afirmou estar consternado com a posição da Rússia e da China.
"Mais de 14 mil sírios inocentes foram mortos desde que a Rússia e a China vetaram pela primeira vez nossos esforços para acabar com a violência em outubro do ano passado", disse o embaixador britânico na ONU Mark Lyall Grant.

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