CAMINHONEIROS COMEÇAM O DESBLOQUEIO DAS ESTRADAS, APÓS ACORDO
ASSINADO COM O GOVERNO
BRASILIA -O governo federal conseguiu um acordo com caminhoneiros ,ontem em
Brasilia, e a categoria decidiu
suspender bloqueios em estradas que estavam paralisando o transporte de
mercadorias no país.
O desbloqueio começou
ainda na terça-feira (31) e deve
acontecer, totalmente na quarta-feira, (1º), segundo o líder do movimento,
Nélio Botelho, por problemas de segurança. Os caminhoneiros ainda bloqueiam
estradas federais em 6 Estados.
O acordo foi firmado após duas reuniões conduzidas pelo
ministro dos Transportes, Paulo Passos, que duraram quase oito horas. Os
caminhoneiros estavam divididos em dois grupos --um que liderava a greve e
outro que era contrário à paralisação.
O governo cedeu em três pontos da pauta de reivindicação dos
dois grupos, que tinha no total 12 itens, e acenou com a possibilidade de
flexibilizar a lei que passou a regulamentar a carga horária dos caminhoneiros.
Pela nova lei, que já entrou em vigor, os caminhoneiros têm
que ter um descanso de 30 minutos a cada quatro horas de trabalho e um descanso
diário de 11 horas contínuas.
Os representantes dos dois grupos de caminhoneiros são
contrários a esse formato, apesar de defenderem uma regulamentação. Para eles,
há problemas operacionais como a falta de pontos de paradas.
Caminhões parados em rodovia do Paraná; greve de
caminhoneiros interditou rodovias em seis Estados
Para acabar com a greve, o governo decidiu dar mais 30 dias
de fiscalização educativa ,( sem multa) em relação à jornada dos caminhoneiros.
Nesse período, será aberta uma mesa de negociação entre representantes dos
governos e dos trabalhadores para discutir propostas.
O ministro disse que o governo vai ouvir as propostas e, se
for o caso, pode fazer alterações na legislação.
Os outros dois pontos que o governo atendeu foram: a
paralisação de novos registros para transportadores; e a igualdade de condições
entre pequenos e grandes transportadores na hora de fazer o registro eletrônico
do pagamento dos fretes. A nova lei cria o cartão-frete, que acaba com a
carta-frete.
Os defensores da lei alegam que a carta-frete representava
prejuízo para os caminhoneiros. Por esse mecanismo de pagamento, eles eram
obrigados a abastecer e a consumir produtos em postos ligados à transportadora,
em geral, pagando preços muito maiores.
CONTROLE DA JORNADA
O mecanismo de contratação de frete era informal, sem o
recolhimento dos tributos inerentes à operação. Com o cartão-frete, toda a
operação passa pelo sistema financeiro, a sonegação fica mais difícil.
O controle de jornada também foi considerado por parte da
categoria um avanço. Pela lei, todos os caminhoneiros são obrigados a cumprir
período de descanso de 11 horas a cada 24 horas. Além disso, a lei determina
que os profissionais façam uma parada de meia hora a cada quatro horas ao
volante. O objetivo da lei é reduzir o número de acidentes nas estradas.
O Movimento União Brasil Caminhoneiro tem feito duras
críticas a essa imposição da lei. Afirma que as estradas não possuem locais de
parada e que a jornada imposta reduz a remuneração dos profissionais da
estrada. Além disso, alegam que a Polícia Rodoviária Federal não tem condições
de fazer a fiscalização.





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