Presidentes (da esq. para a dir.) Hugo Chávez, Dilma Rousseff, José Mujica e Cristina Kirchner
MERCOSUL SEM A OPOSIÇÃO DO PARAGUAI TEM UM NOVO MEMBRO: A
VENEZUELA DE HUGO CHAVES
O MERCOSUL tem agora um poderoso aliado da America Latina : A Venezuela de Hugo Chaves, que na
terça-feira(31) selou sua adesão ao bloco, graças a ausencia do Paraguai, que
era contra sua presença no grupo.
A reunião, convocada em caráter extraordinário, ocorreu,
justamente, sem a presença do Paraguai, suspenso pelo bloco após a destituição
de seu presidente Fernando Lugo, em junho. Pleiteada desde 2006, a entrada da
Venezuela dependia apenas de aprovação do Congresso paraguaio.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse terça-feira em Brasília, na reunião do
Mercosul que selou a adesão de seu país ao bloco, e que o ingresso de seu país
inicia um "período de aceleração da história".
“A partir de hoje entramos em um novo período de
aceleração da história que estamos construindo, de mudanças históricas,
políticas e geográficas", afirmou o venezuelano.
Com a suspensão, abriu-se uma brecha para incorporar Caracas
na última cúpula do bloco, em junho. O Paraguai, no entanto, estuda formas de contestar
o ingresso venezuelano.
Nesta terça-feira, o presidente Federico Franco afirmou que
a adesão voltará a ser analisada pelo Congresso paraguaio, que poderá aceitá-la
ou rechaçá-la.
Momento 'histórico'
Em seu discurso, Chávez comparou a entrada da Venezuela com
a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há dez anos.
"Sinto que o evento de hoje, a entrada da Venezuela no
Mercosul, tem alguma semelhança com o dia em que este povo querido do Brasil elegeu
como seu presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O povo do Brasil elegeu o Lula e
começou a mudar a história".
Ele afirmou ainda que a adesão coincide com um novo ciclo
político na Venezuela. Em outubro, o país terá eleições presidenciais, em que
Chávez concorrerá a um novo mandato de seis anos. O venezuelano está no cargo
desde 1999.
Além de Chávez e da presidente Dilma Rousseff, também
participaram da cerimônia os presidentes do Uruguai, José Pepe Mujica, e da
Argentina, Cristina Kirchner.
Em discurso, Dilma disse que os presidentes do Mercosul têm
“consciência de que há importante trabalho técnico a ser feito para garantir
plena incorporação da Venezuela ao bloco”
A partir do fim de agosto, um grupo de trabalho terá 180
dias para definir um cronograma de adequação da Venezuela ao Mercosul. O prazo
é prorrogável pelo mesmo período de 180 dias. Para que a adesão ocorra de fato,
a Venezuela terá de fazer uma série de ajustes tarifários.
Ainda assim, a presidente afirmou que a adesão do país
amplia as capacidades do Mercosul, reforça seus recursos e abre oportunidades a
empreendimentos.
Petróleo e gás
“A Venezuela que tem reservas de petróleo e gás entre
maiores do mundo tem buscado nos últimos anos uma industrialização que aumente
a perspectiva de integrar a produção e empreendimentos conjuntos entre países”.
Com o ingresso da Venezuela, o Mercosul passa a contar com
população de 270 milhões de habitantes, ou 70% da população da América do Sul.
Segundo o Ministério de Relações Exteriores, o PIB do bloco
alcançará US$ 3,3 trilhões (83,2% do PIB sul-americano), e seu território
passará a 12,7 milhões de km² (72% da área da América do Sul).
Em comunicado, o Itamaraty afirma que "a incorporação
da Venezuela altera o posicionamento estratégico do bloco, que passa a estender-se
do Caribe ao extremo sul do continente. O Mercosul se afirma, também, como
potência energética global tanto em recursos renováveis quanto em não
renováveis". BBC DO BRASIL


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