DILMA REBATE CRÍTICAS DE FERNANDO HENRIQUE A LULA E DIZ QUE RECEBEU DO EX-PRESIDENTE FOI
UMA “HERANÇA BENDITA”
A presidente Dilma Rousseff, em nota oficial divulgada segunda-feira (3), “rebateu artigo do ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso em que ele acusa o antecessor da presidente, Luiz Inácio Lula
da Silva, de deixar uma "herança pesada" para ela”.
Na matgéria no fim de semana nos jornais "O Estado de
S. Paulo" e "O Globo", Fernando Henrique Cardoso cita o episódio do mensalão, a
"desorientação da política energética" de Lula e a "crise
moral" no primeiro ano de gestão de Dilma.
Segundo o
ex-presidente, as sucessivas demissões de ministros envolvidos em
irregularidades têm como pano de fundo a "obsessão por formar maiorias
hegemônicas, enfermidade petista incurável".
"Nem bem completado um ano de governo e lá se foram
oito ministros, sete dos quais por suspeitas de corrupção. Pode-se alegar que
quem nomeia ministros deve saber o que faz. Sem dúvidas, mas há
circunstâncias", escreveu FHC.
Dilma critica , na nota, os argumentos De FHC, e afirma ter recebido
uma "herança bendita".
"Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob a
ameaça de apagão", afirma a petista, citando episódios da gestão tucana na
Presidência.
assessor de FHC Xico Graziano, disse que ao divulgar a nota, Dilma "passou o
recibo".
Em nota, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, criticou
Dilma.
"Apesar de ter demitido quase metade dos ministros, de
ter chacoalhado a Petrobras, ela faz de conta que não aconteceu nada. Faz de
conta que os ministros que vieram do governo passado eram bons, que as práticas
de antes eram limpas e que foi a força da gravidade que a fez mudar a diretoria
da Petrobras, não a constatação de que a empresa ia e continua muito mal. Nós
entendemos a presidente. O importante é que a senhora trabalhe direito e não
fique apenas nas palavras",disse
FHC.
artigo, FHC centra suas críticas no antecessor e padrinho
político de Dilma, citando, inclusive, entrevista recente do ex-presidente ao
jornal "New York Times".
Mas não foi só isso que Lula deixou como herança à
sucessora. Nos anos de bonança, em vez de aproveitar as taxas razoáveis de
crescimento para tentar aumentar a poupança pública e investir no que é
necessário para dar continuidade ao crescimento produtivo, preferiu governar ao
sabor da popularidade."
Dilma rebate afirmando que assumiu um "país mais justo
e menos desigual" além de "mais respeitado" no exterior.
Ao elogiar seu antecessor, Dilma ainda alfineta FHC.
"[Lula é] Um democrata que não caiu na tentação de uma mudança
constitucional que o beneficiasse. O ex-presidente Lula é um exemplo de
estadista".
Na gestão de FHC na Presidência, o Congresso aprovou uma PEC
(Proposta de Emenda à Constituição) que permite a reeleição no país. Após a
mudança, o próprio FHC foi reeleito em 1998.
"Não reconhecer os avanços que o país obteve nos
últimos dez anos é uma tentativa menor de reescrever a história. O passado deve
nos servir de contraponto, de lição, de visão crítica, não de ressentimento.
Aprendi com os erros e, principalmente, com os acertos de todas as
administrações que me antecederam. Mas governo com os olhos no futuro",
afirma a nota assinada por Dilma.
EIS A ÍNTEGRA DA NOTA DE DILMA
"Citada de modo incorreto pelo ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso, em artigo publicado neste domingo, nos jornais "O
Globo" e "O Estado de S. Paulo", creio ser necessário recolocar
os fatos em seus devidos lugares.
Recebi do ex-presidente Lula uma herança bendita. Não recebi
um país sob intervenção do FMI ou sob a ameaça de apagão.
Recebi uma economia sólida, com crescimento robusto,
inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas
cambiais recordes.
Recebi um país mais justo e menos desigual, com 40 milhões
de pessoas ascendendo à classe média, pleno emprego e oportunidade de acesso à
universidade a centenas de milhares de estudantes.
Recebi um Brasil mais respeitado lá fora graças às posições
firmes do ex-presidente Lula no cenário internacional. Um democrata que não
caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse. O
ex-presidente Lula é um exemplo de estadista.
Não reconhecer os avanços que o país obteve nos últimos dez
anos é uma tentativa menor de reescrever a história. O passado deve nos servir
de contraponto, de lição, de visão crítica, não de ressentimento. Aprendi com
os erros e, principalmente, com os acertos de todas as administrações que me
antecederam. Mas governo com os olhos no futuro.
Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil"
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