DUAS EXPLOSÕES EM DAMASCO SÃO ATRIBUIDAS A ISRAEL. DOIS VIDEOS REGISTRARAM O ATAQUE
“Dois vídeos de ativistas sírios publicados neste domingo no site YouTube mostram uma grande explosão nos subúrbios de Damasco, que os rebeldes dizem ser o momento do ataque israelense contra o complexo militar de Jamraya.
A autenticidade da gravação não pode ser confirmada de forma independente devido às restrições impostas pelo regime sírio à entrada de organizações e jornalistas internacionais.
Segundo integrantes do governo israelense, a instalação abrigava mísseis iranianos de longo alcance, que seriam entregues ao grupo radical libanês Hizbollah. A informação sobre o ataque foi revelada durante a madrugada pelo regime sírio, que acusou Israel da ação, mas não confirmou o local atacado.
Testemunhas na região dos ataques dizem que a terra tremeu no momento da explosão. Outros moradores afirmam que as armas usadas são mais fortes que os mísseis Scud, os mais poderosos nas mãos das tropas do ditador Bashar Assad”. (AGENCIAS DE NOTICIAS)
SÍRIA ACUSA ISRAEL POR EXPLOSÕES E DIZ HAVERÁ GUERRA REGIONAL SE OS ATAQUES CONTINUAREM
O governo da Síria afirmou no domingo(5) que Israel levará o Oriente Médio a uma guerra se continuar com ataques contra alvos no território sírio. Para o regime do ditador Bashar Assad, a ação desta madrugada contra um centro militar viola leis internacionais.As declarações são feitas horas após caças israelenses bombardearem o complexo militar de Jamraya, a 60 km da capital Damasco. Segundo fontes do governo israelense, a intenção era destruir um carregamento de mísseis iranianos que seriam enviados ao grupo radical libanês Hizbollah.
Israel bombardeia instalação militar que abrigava mísseis do Irã na Síria
A ação causou a condenação do Irã, aliado de Assad, mas também do Egito e da Liga Árabe que, apesar de darem apoio aos rebeldes sírios, são contrários à atuação militar israelense na região e defendem a criação de um Estado palestino.
O regime sírio disse, em comunicado divulgado pela agência de notícias Sana, que o bombardeio era uma declaração de guerra de Israel. A mesma frase foi dita pelo vice-chanceler, Faisal al Mekdad, em entrevista à CNN.
Em comunicado feito durante um intervalo em uma reunião de emergência do alto escalão do regime, o ministro da Informação da Síria, Omram al Zoubi, disse que os ataques fazem com que o Oriente Médio se torne "mais perigoso" e são "uma flagrante violação às leis internacionais".
O ministro sírio defendeu que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) avalie a questão e afirmou que o regime enviou duas cartas, uma destinada ao conselho e outra ao secretário-geral, Ban Ki-moon.
No documento, Zoubi afirmou que os ataques israelenses dos últimos dias são um apoio direto às ações dos terroristas, como o regime de Assad chama os rebeldes que há dois anos combatem contra o governo, em especial a Frente al Nusra, que diz ter relações com a rede terrorista Al Qaeda.
"Esta agressão, da qual Israel não se responsabilizou, abre portas a todas as possibilidades e confirma a ligação entre Israel e grupos de ideologia radical islâmica. Eles não podem jogar com o destino da Síria. Nós temos direito de proteger com todos os meios nosso país e nosso povo de toda a agressão estrangeira".
Ele também acusou os Estados Unidos de darem cobertura para a ação israelense e voltou a dizer que os rebeldes são financiados por países árabes, como a Arábia Saudita, a Turquia e o Qatar. "Estamos todos em um estado de ira. Não é um ataque novo, pois é praticado todos os dias por terroristas".
Embora a retórica do regime sírio seja de guerra com Israel, é improvável que Assad provoque um conflito, em especial pelo uso de todo o efetivo do Exército sírio para combater os grupos rebeldes.
LIGA ÁRABE CONDENA ATAQUE
A ação israelense na Síria causou a condenação do Egito e da Liga Árabe. Ambos são contrários ao regime de Bashar Assad, mas também mantêm oposição a Israel pela atuação militar na região, em especial contra os palestinos, e pela resistência à criação do Estado palestino.
Em comunicado, o gabinete do presidente egípcio, Mohamed Mursi, disse que os ataques são uma violação dos princípios do direito internacional e devem complicar ainda mais a situação síria, além de ameaçar a segurança e a estabilidade da região.
Com o mesmo temor, a Liga Árabe pediu a atuação imediata do Conselho de Segurança para impedir que o conflito tome maiores proporções. A condenação acontece mesmo após a retirada do regime de Bashar Assad da representação do grupo de países. Na última reunião, a cadeira síria foi ocupada pela oposição.
Mais cedo, o porta-voz da Chancelaria do Irã, Ramin Mehmanparast, condenou o bombardeio e disse que "é um esforço de Israel para criar instabilidade e insegurança na região", mas não comentou sobre o dado a respeito da origem dos mísseis.
O grupo radical libanês Hizbollah também não fez comentários sobre o bombardeio, assim como a ONU e os países ocidentais. Na tarde de sábado (4), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que não comentaria os ataques, mas defendeu o direito de Israel de combater contra o Hizbollah.
Caso confirmado, o bombardeio será a segunda ação de Israel na Síria em menos de três dias, um sinal da entrada do Estado judaico nos confrontos entre o regime de Bashar Assad e grupos rebeldes. Embora não veja vantagem no conflito sírio, a ação militar pode minar o poder do Hizbollah e de Teerã, aliados de Assad.


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