VENEZUELA DE LUTO:
CANCER MATA HUGO CHÁVEZ AOS 58 ANOS E HÁ 14 À FRENTE DO GOVERNO VENEZUELANO
O
presidente Hugo Chávez morreu na terça-feira,(5) em Caracas, aos 58 anos,
vítima de complicações de um câncer na região pélvica.Cháves
ocupava o cargo desde 1999 e era o líder democrático mais longevo da história
recente da América Latina, tendo sido reeleito para o quarto mandato
consecutivo no último mês de outubro. O período terminaria em 2019, mas não
chegou a tomar posse por causa da doença.
Foi a
terceira vez em que ele foi eleito para um mandato com duração de seis anos,
regra criada pela nova Constituição, aprovada em 1999, um ano após a chegada ao
poder. Na última votação, o venezuelano teve 55% dos votos, com comparecimento
de 81% do eleitorado. Ele venceu em 22 dos 24 Estados.
Em 2009,
o presidente promoveu um referendo sobre o fim da limitação ao número de
mandatos políticos, e chegou a falar sobre se manter no governo até 2021, ou
mesmo 2030.
Chávez
voltou a trabalhar em 1º de agosto, com cabelo raspado por causa do tratamento
de quimioterapia
Sob
Chávez, a Venezuela teve uma redução da pobreza de 49,4% para 27,8%. A redução
da desigualdade foi maior que a dos anos Lula no Brasil. Mas o mandatário
também sofreu críticas por má gestão e pela violência.
Um dos
maiores trunfos de Chávez na última eleição era o programa "Gran Misión
Vivienda", uma espécie de versão custo zero (sem financiamentos) do
programa brasileiro Minha Casa, Minha Vida que conta com, segundo números do
governo da Venezuela, 272 mil beneficiários.
O
programa gerou imensa esperança e mais de um terço do eleitorado diz estar na
fila para receber a casa.
Chávez
concorreu contra Henrique Capriles, 40, o ex-governador do populoso Estado de
Miranda que representava uma mudança geracional no antichavismo e comandava as
maiores reuniões populares opositoras desde 2004 com discurso centrista e de
críticas à gestão do governo.
GOLPE
MILITAR
Chávez
era o segundo de oito irmãos e sonhou ser jogador profissional de beisebol
antes de tornar-se cadete nas Forças Armadas. Em 1992, liderou colegas numa
tentativa fracassada de golpe militar. Passou dois anos preso, antes de ser
perdoado e libertado.
Segundo
filho de professores de ensino básico, Chávez, se nascesse menina ganharia o
nome de Eva, para complementar o nome de seu irmão, Adán. Em lugar disso,
recebeu o nome de seu pai. Com a chegada de mais filhos (seis, todos meninos),
os dois mais velhos foram morar com a avó, Rosa, uma mulher gentil e
trabalhadora que os mimava muito.
Por volta
dos anos 60, a Venezuela, antes um canto sonolento da América do Sul, governada
por sucessivos ditadores, havia se tornado uma democracia incipiente, com
crescentes receitas petroleiras e fome de modernidade.
Uma nova
elite e classe média cresciam entre os arranha-céus em construção, mas a
maioria dos migrantes rurais terminava vivendo em barracos construídos nos
morros em torno das grandes cidades.
Ele
tornou-se cadete nas Forças Armadas na expectativa de saltar da academia
militar para os clubes profissionais de beisebol de Caracas. Mas, em lugar
disso, se apaixonou pela vida militar.
nquanto
Chávez subia na hierarquia, estudava os escritos de Simón Bolívar, o libertador
que expulsou os espanhóis da Venezuela no século 19, e os de filósofos como
Nietzsche e Plekhanov.
Também
começou a prestar atenção à extrema pobreza e desigualdade no país, em meio ao
"boom" petroleiro. Inspirado pelos líderes militares revolucionários
do Panamá e Peru e por intelectuais de esquerda venezuelanos, Chávez começou a
desenvolver a ideia da revolta.
Ao longo
de uma década, ele organizou os colegas militares em uma conspiração para
substituir o que viam como falsa e venal democracia por uma democracia
progressista e real. O golpe de fevereiro de 1992 foi um fiasco militar,
permitindo que o impopular governo sobrevivesse, mas Chávez transformou seu
discurso de rendição, televisado em rede nacional, em triunfo político.
Eloquente
e elegante em sua boina vermelha, ele se apresentou a um país atônito
--"ouçam ao comandante Chávez"-- e declarou que seus objetivos não
haviam sido realizados "por ahora". A piada que se ouvia então dizia
que ele merecia 30 anos de prisão --um pelo golpe, 29 pelo insucesso.
Perdoado
e libertado depois de dois anos, foi adotado como líder nominal por uma
coalizão de movimentos de base e partidos de esquerda que conquistou a vitória
na eleição de 1998, com apoio não apenas dos pobres mas de classe média
saturada dos partidos políticos tradicionais. Com o petróleo cotado a apenas
US$ 8 por barril, o Estado petroleiro estava quase falido.
Pouca
gente fora da Venezuela, até então conhecida apenas por misses e pelo petróleo,
sabia como avaliar a chegada ao poder de um líder temperamental que elogiava
Fidel Castro mas dizia não ser nem de direita nem de esquerda, mas sim adepto
de uma "terceira via" à moda do britânico Tony Blair.
Em poucos
anos, Chávez se tornou uma das figuras mais reconhecíveis, e polarizadoras, do
planeta.
Conquistou
a vitória na eleição de 1998, com apoio não apenas dos pobres mas de classe
média saturada dos partidos políticos tradicionais. Era o insurgente, o
excluído, um político jovem e atlético que prometia derrubar a ordem
estabelecida e "refundar" a Venezuela.
Com o
tempo, a retórica --ele definiu ricos como "vampiros" que saqueavam a
riqueza petroleira do país-- o fez querido dos pobres, mas alienou a classe
média e a elite tradicional.
Em abril
de 2002, as elites o derrubaram brevemente em um golpe de Estado apoiado pelo
governo de George W. Bush (2001-2009). Chávez sobreviveu e se radicalizou,
declarando-se socialista e estatizando grandes porções da economia. Com a
disparada nos preços do petróleo, custeou a abertura de clínicas de saúde
equipadas com pessoal cubano e outros programas sociais, aliviando a pobreza.
Chávez
criou um império de mídia estatal que promoveu um culto de personalidade e
reforçou o controle do Executivo sobre as Forças Armadas, o Judiciário e o
Legislativo.
Ele
chamou Bush de "jumento", "Mr. Danger" e "uma
besta", e, em memorável discurso na ONU (Organização das Nações Unidas), o
definiu como "o diabo". Entre os seus simpatizantes estão Ken
Livingstone, Sean Penn, Danny Glover e Noam Chomsky.
Problemas respiratórios
de Chávez pioram com nova infecção grave
CARACAS,
5 Mar - Os problemas respiratórios do presidente venezuelano, Hugo Chávez,
pioraram e ele está sofrendo de uma nova infecção respiratória "severa",
conforme luta para se recuperar de uma cirurgia contra o câncer, informou o
governo em uma atualização da condição médica do mandatário, na noite de
segunda-feira.
O líder
socialista, de 58 anos, passou quase três meses sem ser visto nem ouvido em
público desde que se submeteu à operação em Cuba no início de dezembro. Foi a
quarta cirurgia desde que a doença foi diagnosticada, em meados de 2011.
"Hoje
há uma piora de sua função respiratória relacionada com seu estado de
imunodepressão próprio de sua situação clínica.... existe agora uma nova,
severa infecção", disse o ministro da Informação, Ernesto Villegas, lendo
o mais recente comunicado oficial sobre a condição do presidente.
Chávez
fez um surpreendente retorno à Venezuela durante a madrugada há duas semanas,
sem a festa e celebração que marcaram seus retornos anteriores do tratamento em
Havana. O governo disse que ele agora está lutando por sua vida em um hospital
militar de Caracas. Guardas armados montaram um forte esquema de segurança do
lado de fora.
"O
presidente tem recebido quimioterapia de forte impacto, entre outros
tratamentos complementares... seu estado geral continua sendo muito
delicado", afirmou Villegas.
Chávez
sofreu várias complicações após a cirurgia do dia 11 de dezembro, incluindo um
sangramento inesperado e uma outra infecção respiratória grave, que as
autoridades disseram ter sido controlada.
O governo
disse que ele tinha dificuldade para falar porque estava respirando através de
um tubo traqueal, mas que estava dando ordens a ministros por escrito.
"O
comandante-presidente permanece apegado a Cristo e à vida, consciente das
dificuldades que está enfrentando, e cumprindo rigorosamente o programa criado
por sua equipe médica", disse Villegas.
Após uma
missa emocionada no hospital militar na sexta-feira, o vice-presidente Nicolás
Maduro --sucessor indicado por Chávez caso ele seja incapaz de continuar como
presidente-- disse que o presidente decidiu por si mesmo vários dias antes que
iria voltar de Cuba para a Venezuela.
Chávez
começaria uma fase "mais forte e intensa" de seu tratamento, afirmou
Maduro, e queria estar em Caracas.
Caso o
líder venezuelano renuncie ou venha a falecer, uma eleição seria realizada
dentro de 30 dias e, provavelmente, colocaria Maduro contra o líder da oposição
Henrique Capriles, que perdeu para Chávez na eleição presidencial em outubro.


















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